72º

Eram sete horas da manhã quando acordei assustada com o toque do celular e uma mensagem dizendo que eu tinha apenas mais 48 horas de vida. Para qualquer pessoa comum isso pode ser assustador, mas para mim que sou policial há cinco anos, jurada de morte todos os dias, isso não me incomoda mais.
As pessoas costumam pensar que eu tenho uma vida muito agitada, devido ao fato de ser policial, mas a verdade é que: sem contar a hora em que estamos em campo, a vida de um policial pode ser extremamente chata. Na verdade, a maior parte do meu tempo eu fico dentro de uma delegacia esperando uma ligação, que normalmente não acontece, e vou para casa dormir. Como hoje.
Sou acordada mais uma vez no dia seguinte com uma mensagem dizendo que eu tenho apenas 24 horas de vida, exatamente as sete da manhã. As vezes acho até engraçado o tempo e o esforço que as pessoas gastam só para tentar intimidar os outros. Vou para a delegacia e novamente espero por uma ligação que não acontece.
Tomo um susto com um toque no celular no dia seguinte. Pego para abrir a notificação que pisca na tela e, quando vejo a mensagem, percebo que é uma mensagem da polícia e dessa vez não são sete horas da manhã, são três horas da madrugada. Levanto já colocando o uniforme e corro em direção ao endereço contido na mensagem.
Assim que chego lá, o comandante informa sobre o assalto que ocorreu e avisa que o perímetro está cercado, ou seja, o assaltante está por ali. Vou para a minha posição é espero por horas. Quando já estou achando que ele tinha escapado, vejo-o correr e o sigo pelos terraços dos prédios.
Estou quase o alcançando e recebo outra mensagem que, com uma olhada rápida, consigo ver que está escrito cinco minutos. Continuo correndo atrás dele, sem olhar ao redor, e é quando tudo acontece. Ouço um disparo e, a princípio não sei de onde ele vem ou a quem atingiu, porém quando olho para baixo… Percebo que estou sangrando. Desabo no chão e observo enquanto o ladrão e o seu cúmplice escapam, não sei quem eles são, talvez estejam apenas vingando a morte (ou prisão) de algum amigo, mas isso não importa mais, não para mim.
Aos poucos vou perdendo a consciência e sei que vou morrer. Todos estão muito longe e muito ocupados, não há mais saídas. Olho para a poça de sangue ao meu redor e penso em como a minha morte se tornará em uma simples acidente de trabalho, algo que qualquer um podia sofrer correndo atrás de um bandido. Olho para a tela do celular, são sete horas. E essa é a última coisa que eu vejo.

Escrito por: Vanessa Oliveira

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