Hoje não dói mais

Oi, gente! Hoje vim aqui compartilhar com vocês que eu ganhei o concurso cultural do Blog Tentando ser Nerd! Eles fizeram uma pergunta e a resposta mais emocionante ganhava. Achei que vocês gostariam de saber qual foi a pergunta e a minha resposta, então vou compartilhar com vocês:

Hazel e Gus tinham algo muito em comum, não só o câncer que mantinham os dois próximos e sim a vontade de viver algo infinito. Você já viveu alguma experiência infinita? Ou algo que marcou sua vida? 

Acredito que a sensação de viver algo infinito não está apenas em um relacionamento e sim nos momentos em que marcam a nossa vida, nos momentos que nos mudam e que nos fazem enxergar o mundo de uma outra maneira. E isso aconteceu comigo, há três anos atrás.

Eu tinha 11 anos quando aconteceu, era realmente uma criança, sem noção das surpresas que o destino revela para a gente. No último ano, meu avô havia descoberto que estava com câncer em um estado muito avançado e começou a fazer sessões de quimioterapia, que o envelheceram alguns anos. Meu avô sempre foi um homem que tentava ver a família feliz acima de tudo, era trabalhador e, mesmo depois do câncer, continuava se esforçando muito. Na casa onde morava, tinha uma piscina, para onde todos os netos iam aos domingos e passavam a tarde lá e, bem me lembro, que essa era uma das maiores alegrias do meu avô, ver a felicidade dos netos. Porém, com o câncer, ele não podia fazer esforços, logo, não podia mais limpar a piscina(que era bem grande), mas meu avô não se aguentou, ele não gostava de ver os netos apenas tristes pela situação dele, gostava de vê-los rindo e mesmo correndo risco de tombos e fraco pela quimioterapia, continuou a limpar a piscina. Certa sexta-feira em que fui a sua casa, ele não estava muito bem, estava de cama, fraco pela ultima sessão e eu fiquei preocupada, mas meus pais me disseram que estava tudo bem. Então, algumas semanas depois, mais precisamente no dia 15/12/2011, quinta feira, eu estava na igreja quando minha mãe me chamou para ir embora e disse que precisávamos ir para Xerém(lugar onde meu avô morava). Eu lembro de ter começado a chorar no mesmo momento e de perguntar para ela se meu avô havia morrido e ela disse que não, que tudo ia ficar bem. Então, fomos para a casa da minha vó e aguardamos notícias, cedo ou tarde, alguém iria falar(meu pai estava no hospital desde cedo). Depois de algum tempo, minha vó ligou para meu irmão e pediu para ele também ir para Xerém, meu irmão, relutou falando que não poderia naquele momento, até que: Bum! Veio a bomba e eu escutei sem querer, da boca da minha vó enquanto ela falava ao telefone: “O seu avô morreu. Você precisa vir para cá.” Lembro que essa foi a gota d’água, comecei a chorar imediatamente e não queria a companhia de ninguém, sempre fui de chorar sozinha. Fiquei lá até meu irmão chegar e ficar comigo(chorando também), lembro que meu irmão não tinha palavras de consolo pra mim, mesmo sendo sete anos mais velho que eu, a única coisa que ele disse foi: “Sabe qual é o pior? Eu nem me lembro da última vez que o vi.” E nesse momento, eu senti a dor do meu irmão, o seu arrependimento, pois sabia que ele não teria outra chance de falar o quanto o amava. Depois, meu pai chegou, com uma expressão séria, típica dele e nem eu, nem meu irmão dissemos nada, apenas o abraçamos e ele chorou, chorou de verdade. Eu nunca havia visto meu pai chorar e naquele momento percebi que todos somos de carne e não somos tão forte quanto pensamos. No dia seguinte foi o enterro e mais lágrimas caíram do rosto de todos, mesmo que alguns não demonstrassem qualquer traço de tristeza e o resto da história bem, a gente precisa aprender a superar a dor. Por sorte, meu avô teve a oportunidade de aceitar a Jesus antes de sua morte, minha vó orou por mais de 20 anos por ele e deu certo. Nos seus últimos dois anos de vida, meu avô leu a bíblia duas vezes e teve a oportunidade de aceitar a Jesus, ele mostrou que não importa qual seja a situação, temos que aproveitar a vida enquanto ainda a temos. Às vezes, eu ainda me pego olhando fotos ou sempre que entro na casa da minha vó e vejo a piscina, ainda tenho algumas lembranças e lembro do meu avô, mas hoje não dói tanto mais, hoje eu não lembro mais da morte dele quando vejo fotos. Lembro da sua vida, de como ele foi feliz, de como educou meu pai da melhor maneira possível, de como sempre foi trabalhador, de como amava a minha vó. Lembro-me dele do jeito que ele sempre desejou que todos se lembrasse: feliz. E isso, eu posso dizer, marcou minha vida, pois fez mudar o meu modo de ver as coisas, me fez ser como Pollyana, que sempre enxerga o lado bom e através do meu irmão, me fez dar mais valor a família e perceber que a família não vai estar aqui para sempre e por isso, não devemos deixar para amanhã o que temos que fazer hoje. Obrigada, vô! Graças a você, eu ganhei forças e me sinto infinita sempre que lembro de você.

Escrito por: Vanessa Oliveira

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2 pensamentos sobre “Hoje não dói mais

  1. Vanessa, parabéns por ser a ganhadora do concurso. Realmente suas palavras foram lindas, ainda bem que você conseguiu superar tudo isso.
    Beijos.

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